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15 de junho de 2016

Talvez um Dia

Daí que estou nesse vórtex de leituras de livros new adult desde que li Belo Sacrifício no final do mês passado.

É sempre assim. Os Madoxx demoram a chegar, mas quando chegam me fazem querer ler um monte de romances gostosinhos clichê com garotos difíceis e meninas legais. (com exceção da Abby. Odeio. Quem conhece sabe).

Joguei no google: Bons livros new adult com personagens acima de 16 anos (não sou obrigada).

E apareceram muitas referências aos livros da Collen Hoover. Resolvi experimentar começando por Um Caso Perdido. Que gostei bastante, mas não será o foco desse post.


Já estava ali na lista de espera o Talvez Um Dia. Achei o nome legal, não era trilogia (glórias a Jesus) e as primeiras páginas me pegaram.

Sidney uma garota que vive na universidade e trabalha nela também, divide apartamento com sua amiga Tori e namora Hunter a uns bons dois anos. Só que ela não contava que estivesse levando um baita par de chifres dentro da própria casa. Isso mesmo, o namorado pegando a amiga. Ela arruma uma confusão, soca os dois e se vê na rua, com malas, na chuva e sem ter pra onde ir.  

Aí entra Riden. Um cara que havia entrado na vida de Sidney há pouco tempo com uma amizade curiosa e que resolve hospedá-la no quarto vazio deixado pelo irmão no apartamento.



A relação dos dois começa platônica. Com Sidney à noite de sua varanda acompanhando as músicas tocadas por Riden na varanda oposta. Ela nunca imaginou que ele a percebia ocultamente admirando-o ali até que ele faz contato passando seu número de telefone num cartazinho improvisado. Como a história é contada por Sidney e por Riden sabemos pelo lado dele que ele, além de programador, é músico e compõe canções para a banda de seu irmão que está em relativa ascensão. Sabemos também que ele está em bloqueio criativo com as letras das canções e que percebe certa garota na varanda oposta cantando suas canções dedilhadas no violão. Percebe que pode ser a solução para seus problemas se essas letras que ela canta sozinha para si mesma sejam tão boas quanto parecem ser pela expressão dela. Riden tem uma namorada de 5 anos a qual ama profundamente, não há o objetivo romântico nesse contato.

O relacionamento de Riden e Sidney traz muitas surpresas para o leitor e por mais que pareça um grande clichezão, a história vai se aprofundando na vida de todos os personagens de forma que se tornam reais, viscerais. Nos encontramos em cada conflito amoroso, moral, de vida.

Definitivamente não é uma história comum nem esquecível. E me fez pensar muito sobre escolhas que fazemos na vida.  Escolhas que parecem acertadas, mas são puramente egoístas, escolhas que fazemos pelos outros achando que podemos saber o que é melhor para eles, escolhas que mantemos por pura comodidade ou falta de reflexão do porquê de tudo.

Recomendo fortemente a leitura desse livro. Ah! Tem mais. Ao longo da história Riden e Sidney escrevem músicas e dá pra escutar elas numa playlist disponibilizada pela autora (que junto com o cantor Griffin Peterson criaram letra e melodia para todas as músicas).


Mexeu comigo demais.

Já leram? 

24 de maio de 2016

Últimas leituras – Madoxx, jornada no Inferno e suspense incrível

Minha cabeça tá tão esquisita nesse começo de ano (~começo~) que simplesmente não tô me prendendo em livro nenhum. Manter a meta de pelo menos um livro por mês foi difícil, mas a duras penas consegui. Mérito apenas dos títulos que conseguiram prender minha atenção já nas primeiras páginas.

Não sei se é mercúrio retrógrado ou a crise dos trinta, mas ultimamente vivo um momento em que não consigo me conectar com os personagens e isso, na lógica maluca da minha cabeça, tem me feito simplesmente abandonar livros pela metade.

E agora, a partir desse mês de Maio comecei a cursar Letras (!!!!!!!!) e todo o meu tempo tem sido pra ler coisas das disciplinas. Falarei desse reviravolta na minha pacata vida de ser humano de exatas em outro post. Perdão pelo vacilo na demora, mas seguem os títulos.

Janeiro: Bela Redenção – Jamie Macguire

Ai os Madoxx. O que dizer desses irmãos que mexem com o coração da gente?

A série Belo "qualquer coisa" da Jamie Macguire, que começou com o Belo Desastre, entra na minha lista, junto com a série "qualquer coisa" Irresistível da Christina Lauren, como meu alívio mental.

História bobinha, com personagens mais ou menos rasos, final previsível, mas que dá aquele gostosinho no coração sabe?  

Bela Redenção conta a história do Thomas Madoxx que é um agente da CIA e sua relação com uma colega de trabalho que é convocada para uma missão junto com ele em que eles têm que fingir que são um casal. Tem coisa mais clichê? Adoro.

O gostoso dos livros dessa série é que os personagens dos outros livros aparecem e você tem aquela sensação de familiaridade com tudo. Foi uma leitura gostosa pra começar o ano.



Fevereiro: Quarto – Emma Donoghue

Já falei desse livro aqui


Março: Condenada - Chuck Palahniuk


Chuck vive na minha estante de autores preferidos desde que li Clube da Luta, mas não tinha lido nada dele, além disso. Daí caçando histórias que me interessassem no auge da minha crise literária, encontrei essa resenha no Leitor Cabuloso que me fez olhar com carinho pra esse livro.  

O livro conta a história de Maddy, uma garota de treze anos que morre e vai pro inferno. Lá, Maddy não só se sente em casa, como também passa a percorrer o objetivo de conversar com Satã pessoalmente. Para isso parte numa jornada pelo inferno junto com uma galera meio estranha. No meio disso que parece triste e depressivo, temos uma história extremamente engraçada, cheio de piadas que interagem com o próprio leitor e algumas lições que são colocadas nas entrelinhas pelo Palahniuk, assim como em Clube da Luta. Pra vocês terem uma ideia um dos serviços de Maddy no inferno é trabalhar numa espécie de telemarketing que tinha como objetivo ligar para as pessoas vivas justamente na hora do jantar para atrapalhar com pesquisas de opinião inúteis. Esse é o clima do livro.

A resenha da Soraya no Leitor Cabuloso tá maravilhosa. Entra lá e deixe-se influenciar como eu porque vale a pena. O livro tem uma continuação: Maldita. Mas ainda não li. (Tá na lista. Risos.)



Abril: Lugares Escuros – Gillian Flynn


Já falei da Gillian Flynn várias vezes aqui nesse blog porque simplesmente adoro tudo que essa mulher escreve. É o terceiro livro dela que eu leio depois de Garota Exemplar e Objetos Cortantes. Mais uma vez a Flynn consegue criar personagens que mostram o pior do ser humano, e mais uma vez ela consegue fazer a gente se identificar e se relacionar com cada uma dessas pessoas que na vida real a gente desprezaria.

Lugares escuros conta a história de Libby Day. A filha caçula de quatro irmãos, única sobrevivente de uma chacina que matou sua mãe e suas irmãs. E o pior: a pessoa que está presa por cometer os assassinatos é seu próprio irmão mais velho, aparentemente relacionado com culto satânico. E a principal testemunha, que colocou o irmão na cadeia, foi a própria Libby que, aos sete anos na época, afirmou ter visto o irmão praticar os crimes.


Entretanto, Libby não é uma pessoa maravilhosa. Mesquinha, mentirosa e interesseira, Libby viveu a vida de ajuda dos outros, se aproveitando da pena das pessoas por sua condição de sobrevivente de um massacre. Mas o dinheiro dos fundos de ajuda acaba e, para conseguir se manter, Libby passa a receber dinheiro de um grupo de pessoas que gostam de estudar crimes marcantes e mal resolvidos. Esse grupo acredita na inocência do irmão de Libby e financia uma jornada de Libby na redescoberta dos fatos que aconteceram na noite em que sua família foi brutalmente assassinada.

A história vai sendo contada alternadamente entre a busca de Libby no presente e os fatos dos dias que sucederam o crime pelo ponto de vista da mãe e do irmão de Libby no passado. O livro é eletrizante, magnético e você não consegue largar até o fim. Aliás, o final, como em todos os livros da Flynn, é incrível. Leiam agora!

Ah! Tem filme também, com a maravilhosa da Charlize Theron inclusive, mas ainda não assisti e farei a Glória Pires: não sou capaz de opinar!



O Livro de Maio é o Admirável Mundo Novo do Aldous Huxley. Ainda na metade mas já amando. Dia desses venho contar o que achei.

O que vocês andam lendo? Já leram algum desses? Gostaram?



2 de fevereiro de 2016

Clube do Livro GWS – “Quarto” de Emma Donoghue

Estou participando desde o fim do ano passado deste clube do livro do blog Girls With Style. O principal objetivo do grupo esse ano é ler apenas livros escritos por mulheres o que eu achei maravilhoso. É escolhido um livro por mês e nós compartilhamos no grupo o que achamos do livro. 

Em fevereiro o tema era Oscar e os dois livros concorrentes eram Carol da escritora Patricia Highsmith, que deu origem ao filme que disputa 6 indicações ao Oscar esse ano inclusive o de melhor roteiro adaptado; E Quarto que foi o grande vencedor da votação.

O livro foi escrito por Emma Donoghue e também deu origem ao filme que concorre a estatueta de melhor roteiro adaptado, tendo sido inclusive o roteiro escrito pela própria autora. 

Bom, eu AMEI o livro. DEVOREI em um dia! A história é pesada. Uma garota sequestrada por um maluco que a mantém em carecer privado por 7 anos sofrendo entre outros, abuso sexual.  Desses estupros ela engravida, e esse filho, Jack, tem 5 anos quando história começa. E o mais curioso deste livro: a história é toda contada pelo garoto. Do ponto de vista de uma criança que cresceu encarcerada e só conhece aquele quarto. Que cresceu entendendo as coisas a partir do que vê na televisão. Para que ele crescesse sem viver a mesma angústia que ela por estar encarcerada num quarto sem janelas e as mínimas condições, a mãe precisou criar toda uma realidade paralela, algo meio caverna de Platão para explicar o mundo ao Jack. Até que ela percebe que ele é única chance que eles tem de fugir dali e elabora todo um plano de fuga.

Enxergar o mundo sob o olhar de Jack as vezes angustia, as vezes encanta, as vezes faz rir, e as vezes faz chorar, mas sempre mexe com a gente de alguma forma. 


“Quando eu digo pra ela o que estou pensando e ela diz pra mim o que está pensando, nossas ideias de cada um pulam na cabeça do outro, que nem lápis de cera azul em cima do amarelo, que dá verde.”


“O que fez o Menino Jesus começar a crescer na barriga da Maria foi um anjo que desceu  voando que nem um fantasma, só que um fantasma superlegal, com penas. A Maria ficou toda surpresa e disse “Como é possível?”, e depois “Está bem, assim seja”. Quando o Menino Jesus pipocou da vagina dela no Natal, ela colocou ele numa manjedoura, mas não para as vacas comerem, só para elas deixarem ele aquecido com seu bafo, porque ele era mágico.”

Fui correndo também para assistir a adaptação pra fazer aquele julgamentozinho e saber se fez jus a obra. E FEZ! É um daqueles casos que as mudanças não apenas não incomodam como também favorecem a forma de contar a história no cinema. O filme é emocionante (pelo menos eu chorei rsrs).


 
Jack nos proporciona uma forma tão crua de ver o mundo, tanto no livro quanto no filme, que a partir daí somos convidados a muitas reflexões importantes sobre nosso mundo  e sobre como vivemos, sobre nossos próprios cárceres.

Recomendo demais tanto o livro quanto o filme, é pra ler/ver já!


“Somos como pessoas num livro que ele não deixa mais ninguém ler.”





 


15 de outubro de 2015

Isto não é uma resenha de A Arte de Pedir da Amanda Palmer

Isto é uma declaração de amor.


 Sabe, sou dessas que gosto de dizer: “odeio livros de auto-ajuda”. porque me parecia de auto-ajuda a princípio.

Mas Amanda, com sua auto-biografia e suas lições maravilhosas sobre vulnerabilidade, humildade, atrevimento, atitude e um milhão de outras qualidades, proporcionaram muito mais que auto ajuda.

Profunda reflexão, verdades incontestáveis e sacudidas fortes em opiniões enraizadas a muito por aqui.


A singularidade da Amanda como artista vai se revelando ao longo do livro e o que conecta ela aos fãs em todo mundo te faz também se conectar com tudo que ela busca passar, mesmo sem você nunca ter ouvido uma musica dela (que era o meu caso).

Do ponto de vista de alguém que exala extrema confiança nos outros e que se dá de corpo e alma para sua arte, Amanda nos ensina sobre a importância de gratidão, da conexão entre almas e também do reconhecimento do momento em que é necessário romper esse laço.


Um camponês está sentado na varanda de casa, à toa.
Um amigo aparece para cumprimentá-lo e ouve um som medonho, um ganido agudo e prolongado, vindo de dentro da casa.
— Que som pavoroso é esse? — pergunta o amigo.
— É o meu cachorro — responde o camponês. — Está sentado num prego.
— Mas por que ele não levanta e sai dali? — quer saber o amigo.
O camponês pensa e então diz:
— Ainda não dói o suficiente.


Amanda fala de autoconhecimento e da necessidade de pararmos definitivamente de nos auto-sabotarmos com nossas inseguranças e medos que só existem dentro das nossas cabeças. Nossa patrulha da fraude que não cala a boca um dia sequer.

E, é claro, ela fala das entrelinhas silenciosas que existem entre as pessoas no ato de pedir. Pedir qualquer coisa, dinheiro, trabalho, atenção, cuidado, amor... do quanto é vulnerável o ato de pedir mas que, veja só, vulnerabilidade não é esse bicho papão que a gente costuma pintar. Pelo contrário, há coragem e ousadia no ato de ser vulnerável e precisamos urgentemente desmistificar isso.

casada com Gaiman ainda por cima <3

Vivemos num mundo tão louco, onde relações dia após dia estão sendo estraçalhadas por falta de muitos desses conceitos e tantos outros que ela joga na nossa cara durante o livro... às vezes com carinho, as vezes com força... Ela encontra o jeito certo pra fazer cada uma daquelas mensagens de atingir no ponto certo.

Amanda, sei que você nunca vai ler isso, mas, obrigada. Queria escrever isso no seu corpo inteiro com caneta lavável, mil vezes obrigada. Eu aceito as rosquinhas.




"Pedir ajuda sentindo vergonha significa:
- Você tem poder sobre mim.
Pedir ajuda com condescendência significa:
- Tenho poder sobre você.
Mas pedir ajuda com gratidão significa:
- Temos o poder de nos ajudar mutuamente."

28 de setembro de 2015

Grande Irmão – Lionel Shriver

A leitura desse livro me tinha sido indicada pela @diasdelili (Valeu Lili!) a um tempão e pra variar eu procrastinei décadas para lê-lo. Mas foi um daqueles que você começa a ler e as primeiras páginas já te pegam e não te deixar ir.

Lí por aí que a autora também escreveu “Precisamos Falar sobre Kevin” que é super aclamado e está na minha lista de leitura a eras. Mas não precisamos falar sobre minha lista de leitura não é mesmo? (tum dunts)

O tema principal do livro é comida e a forma doentia com que lidamos com ela para suprir questões emocionais, para preencher vazios, pra ocupar tempo, pra lidar com problemas... Seja nos empanturrando dela até a obesidade mórbida, seja utilizando ela como forma de controle e barganha de emoções com as outras pessoas. Mas paralelamente a este tema a autora toca em questões tão profundas, relações familiares, culpa, casamento, dependência emocional e química.

Pandora é a narradora desta história, na faixa dos 40 anos, dona da sua própria e bem sucedida empresa de brinquedos artesanais, casada com Fletcher a 8 anos e madrasta dos dois filhos do primeiro casamento desastrosamente finalizado do marido, Tanner e Codi.

A personalidade de Pandora pra mim foi uma incógnita extra nesse livro. Ao mesmo tempo que se mostrava uma pessoa benevolente, altruísta, com uma modéstia por vezes irritante, ela se mostrava meio apática demais e submissa demais.

“Eu considerava a maioria das convicções uma diversão, e seu cultivo, uma vaidade, razão por que quase nunca lia jornais. Meu conhecimento de um assassinato no Líbano não traria a vítima de volta à vida, e, dado que primordialmente as notícias agravavam o sentimento de desamparo, eu achava surpreendente que tanta gente lhes desse atenção. A recusa em fabricar opiniões para consumo social me tornava uma chata, mas eu adorava ser chata. Não ter o menor interesse terreno para ninguém tinha sido um objetivo a cumprir durante toda minha vida.”

Na segunda parte do livro sua personalidade muda completamente e te surpreende. Fato que descobrimos ser uma jogada inteligentíssima da autora, nos causando o choque, que faz o final desse livro surpreendente.

“Acho que passava boa parte do tempo navegando na internet, o grande matador de tempo que havia substituído a televisão, conspicuamente passiva, por sua ilusão sedutora de produtividade... Talvez eu exagerasse a ênfase que dava ao valor de me manter ocupada e devesse ter aprendido a relaxar mais, porém achava inquietante que fosse possível, especialmente com a ajuda de engenhocas eletrônicas, alguém passar tempo e mais tempo e mais tempo sem fazer absolutamente nada. Eu gostava de imaginar que era incapaz de não fazer nada durante tardes inteiras, mas talvez o que me perturbava fosse ser capaz disso.”

Pandora então recebe um telefonema de um amigo de seu irmão mais velho, Edison, dizendo que o irmão, que era seu símbolo de vida bem sucedida e status, estava falido e vivendo no sofá dele e que a situação era insustentável. Pandora não entendia como um músico de jazz tão conhecido e renomado e com tantos contatos como Edison poderia estar nessa situação. Eles também vinham mantendo aquele contato frio e distante por telefone há muito tempo, nos quais era difícil saber a real situação da pessoa. 

Ela então manda dinheiro e passagens para ele passar uns tempos na casa dela, a revelia do marido que possui sérios problemas com Edison e não conseguiria imaginar passar mais que um final de semana com ele, quanto mais hospedá-lo por meses. O grande ponto acontece aí. Pandora vai buscar o irmão no aeroporto e percebe que o problema não seria apenas convencer o marido a aceitar conviver por um tempo mais prolongado, mas também ela mesma quebrar paradigmas ao perceber que o irmão estava muito diferente da ultima vez que o vira: dezenas de quilos mais gordo, mal se aguentando em pé.

— [...] Eu não sabia como tocar no assunto...
— Que tal “ei, mano, você está gordo para caramba”? Acha que não sei que estou gordo? Também fazem espelhos em Nova York, sabia?
— Tudo bem. — Afrouxei um pouco as mãos no volante. — Quando pus os olhos em você no aeroporto, fiquei perplexa. Na verdade, ainda estou perplexa. Não consigo entender como você pode ter engordado tanto em tão poucos anos.
— Experimente você mesma qualquer dia desses. Não é muito difícil.
Ele tinha razão. Acrescente quatro pães de canela por dia a uma dieta neutra em calorias e você pode engordar quase 175 kg num único ano.
— Mas... por quê? — indaguei, timidamente.
— Dãã! Eu gosto de comer!
— Bem, todo mundo gosta.
— Então, não é nenhum grande mistério, é? Todo mundo inclui a mim, e eu gosto de comer muito.
Suspirei. Não queria deixá-lo irritado.
— Você gostaria de emagrecer?
— É claro, se pudesse apertar um botão.
— O que isso quer dizer?
— Que eu gostaria de ter dez milhões de dólares. Gostaria de ter uma mulher linda... outra vez, devo acrescentar. Gostaria da paz mundial.
— A pessoa pode controlar o peso que tem.
— Isso é o que você pensa.
— Sim. É o que eu penso.
— Você também ganhou uns quilinhos. Também gostaria de perdê-los?
— Sim, na verdade, gostaria.
— Então por que não perde? Ou por que não perdeu?
Franzi a testa.
— Não tenho certeza.

Muitos conflitos surgem daí. Além das reservas habituais que Fletcher já tinha em relação a Edison, questões de opinião principalmente e personalidade, surge um embate extra: o fissurado por comida saudável e exercícios, controlador da dieta da família inteira versus o obeso mórbido. Irmandande, amizade e até a saúde do casamento de Pandora são levados ao limite.

O livro me sugou, me fez pensar, mexeu comigo em muitos níveis e me surpreendeu com um final chocante desses que você realmente não espera. Grande Irmão te faz refletir um pouco sobre sua própria relação com a comida, sim, mas muito mais além te faz pensar sobre esforço, oportunidades perdidas e prioridades.

Valeu cada página! 




E você? Já leu Grande Irmão? O que achou? 

4 de agosto de 2015

ESTOU DE FÉEERIIIAAAASSSS

Essa pessoa que vos fala está de férias em agosto. Pensa num pessoa feliz. Pensou? Agora coloca mais uns arco-íris e uns fogos de artifícios e essa pessoa sou eu! ALEGRIA DEFINE.

Maaaaaasssss digamos que não haverá dinheiro em caixa para viagens. Até porque minhas ultimas férias foram em Dezembro e eu viajei pro outro lado do mundo e ficarei uns 20 anos pagando ainda.
 
Então, com exceção de uma pequena passeadinha de cinco dias no Rio de Janeiro (terra do marido) no fim do mês, tenho praticamente um mês inteiro de dias absolutamente cheios de nada pra fazer a minha espera.

Grande oportunidade para tirar da gaveta projetos antigos, fazer coisas que não dá pra fazer enquanto se está presa no escritório. Para que não passe os 20 e tantos dias e eu os gaste dormindo, comendo e vendo Ana Maria Braga com preguiça de mudar de canal, comecei a preparar uma lista de coisas para fazer. Ainda não está terminada, mas fica aqui registrada para que se torne mais um canal de auto-cobrança.

Doar Sangue e Fazer cadastro no Banco de Medula Óssea
Faz tempo que quero me cadastrar no Banco de Medula Óssea. Acho mega importante e uma oportunidade incrível de fazer diferença na vida de alguém doando umas celulazinhas de nada! Mas é bem o tipo de coisa que a gente vai enrolando com a barriga pra fazer. Doar sangue também só doei uma vez a muuuito tempo no trote solidário quando entrei na faculdade. Vou nem comentar quanto tempo faz isso que é depressão.

Fazer limpeza e catálogo do armário e criar lista de itens necessários para comprar


To na crise dos 30, gente. Repensando minha vida, minhas escolhas e TOTALMENTE meu guarda roupa. Nos últimos meses o que me desfiz de roupa não tá no gibi (expressão da Vó putz). (putz tb é velho affff).  Acho que se sobrou uns 20% do que eu tinha é muito. Daí que junto com isso vieram os posts da Gabi do Teoria Criativa sobre Armário cápsula e tudo isso tem me feito repensar muito sobre o que eu realmente quero no meu armário. Então pretendo fazer um catálogo do que tenho pra tentar entender o que falta e fazer compras que sejam conscientes e que façam sentido baseadas num conceito previamente pensado. Trocando em miúdos: preciso ter em número e qualidade suficientes e tudo tem que combinar entre si e com meu estilo.

Aprender a andar de bicicleta

Sim é isso mesmo que você está lendo. Eu, uma burra véia de 29 anos não sei andar de bicicleta. Pretendo corrigir esse desvio de caráter nestas férias. Meu professor vai ser meu marido mesmo ou talvez, se calhar com o cronograma, tentar uma aulinha com o pessoal do Bike Anjo que também atuam em Vitória. Bike Anjo é um projeto super bacana que ajuda gente no país inteiro a aprender a andar de bike e também como utilizá-la de forma correta no trânsito.

Assistir muitos filmes e terminar séries/realitys pela metade.

Isso inclui ir ao cinema terça feira, duas horas da tarde com a sala de cinema vazia só pra mim e também colocar em dia listas de filmes que tenho vontade de ver a tempos como por exemplo a helaxogia Star Wars, terminar a trilogia Senhor do Anéis (dormi todas as outras vezes que comecei), Sharknado (sim, não me pergunte...), entre outros... Netflix essa maravilhosidade tá aí pra nos oferecer sempre opções maravilhosas.

Também estou com varias séries paradas e/ou assistidas pela metade e/ou abandonadas de propósito que gostaria de retomar. Isso sem contar as coisas novas... RuPaul’s Drag Race tá aí que não me deixa mentir nem desgrudar do sofá.

Ler livros negligenciados

Minhas metas de leituras para as férias são livros que eu comprei ou ganhei e estão pegando poeira na estante. Não pretendo adquirir nada novo (oremos). Na lista estão Lugares Escuros da Gillian Flynn, Confie em Mim do Harlan Coben, A Revolução dos Bichos do George Orwel, O Oceano no Fim do Caminho do Gaiman e Don't Panic que é uma biografia maravilhosa do Douglas Adams escrita também pelo Gaiman. Ou seja, só lindeza! Acho que dá pra ler tudo!!

Passear em lugares inusitados no RJ

Como disse vou passar cinco dias no RJ. Geralmente a gente tem muito povo pra visitar, mas dá pra passear. E eu queria fazer uns passeios diferentes do que todo mundo faz, inclusive aceito sugestões. Um dos programas que está na minha lista é ir ao teatro. Nunca fui ao teatro depois de adulta, a não ser pra esses espetáculos de stand upcomedy.  E como no RJ a oferta de espetáculos é infinitamente maior que em Vix, tá ai a oportunidade.


Fazer vários "nada"


Tem coisa melhor que ficar a toa, deixando a vida te levar?? Isso é LUXO na vida de adulto, a gente bem sabe... Posso usar esse tempo pra fazer as unhas, hidratar o cabelo, caminhar na praia, olhar pro teto ......e dormir MUITO... tem coisa melhor???


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