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5 de maio de 2016

A Garota das Letras

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Assisti por esses dias ao filme "A Garota Dinamarquesa" que conta a história da primeira mulher transexual, que se tem registro, que se submeteu a uma cirurgia de mudança de sexo.

Ao longo dos vários minutos belíssimos de filme vemos um Einar Weneger em conflito com quem ele era por dentro em contraste com seu corpo físico. Os medos, a aceitação, o sofrimento e a necessidade urgente de mudança, de coerência. Ele queria olhar no espelho e ser capaz de se enxergar, como quando ele fechava os olhos e pensava em si mesmo. Lili Elben queria viver, mas para isso Einar Weneger teria que morrer. Com ele sua profissão como pintor, seu casamento com Gerda, seus alicerces numa sociedade extremamente julgadora.

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Terminei de assistir o filme e comecei a traçar um paralelo com a minha própria vida nos últimos tempos. Longe de mim aqui querer me comparar ao sofrimento e processo de mudança que uma mulher ou homem trans sofrem. Mas me sentindo extremamente empática com a necessidade de coerência do que somos por fora e por dentro.

Eu cresci rodeada por essa nuvem de cobrança pelo sucesso profissional. Não culpo meus pais por isso, eles queriam o meu bem, queriam que eu me tornasse o que eles não tiveram oportunidade de ser. Mas de certa forma isso me transformou por dentro. Eu sabia que tinha certas habilidades, mas eu também tinha essa certeza de que elas não seriam suficientes para que eu pudesse me tornar uma profissional bem remunerada, conquistar os bens materiais que constam no checklist da felicidade.

Então eu vasculhei dentro de mim e trabalhei duro para desenvolver outras novas capacidades. Eu me esforcei de verdade. Eu me tornei uma garota dos números e passei a viver disso. O checklist da felicidade foi começando a ser preenchido item por item, o que fazia com que eu cada dia mais acreditasse que essa era minha verdadeira identidade.

Mas o mais estranho é que mesmo no mundo dos números, eu comecei a me destacar pelas letras. Bons relatórios, Bons estudos, Boa comunicação, Boa arte. Aquela pulga atrás da orelha.  Aquele calor no peito quando um texto meu era elogiado.

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E daí que há poucas semanas atrás eu me senti Einar ao vestir pela primeira vez um vestido. Aquela grande pergunta pairou sobre a minha cabeça: Porque não recomeçar? Porque não se reencontrar com aquela garota das letras do passado? Porque não tomar novos rumos? Traçar novos planos? Sonhar novos sonhos?

Muitos medos vieram, talvez o maior deles era o de estar muito velha para isso. De já ter deixado o tempo passar demais e ser incapaz de me reencontrar. Mas minha vontade de me sentir coerente com quem sou por dentro foi muito maior. E agora sou. Estudante de letras.

Ainda não sei os rumos que isso vai tomar, não sei o futuro da coisa toda. Por hora só venho, como Lili, sentindo a textura do leve tecido, a leveza das meias de seda, o abraço do lenço floral e a sensação indescritível de se olhar no espelho e enxergar a si mesma.

*As imagens do post são pinturas de Gerda Weneger, a esposa de Einar, retratando Lili Elbe.

4 de novembro de 2015

Não conte nada a ninguém e seja feliz



Ou Fique apenas com seus poucos e bons e saiba bem quem eles são.


 Somos seres relacionais. Ao longo da nossa vida criamos laços com muitas pessoas.

Um estudo feito na Universidade de Oxford comparou o tamanho do cérebro humano, mais precisamente do neocórtex (área responsável pelo pensamento consciente), com o de outros primatas. Ele cruzou essas informações com dados sobre a organização social de cada uma das espécies ao longo do tempo. E chegou a uma conclusão reveladora: 150 é o máximo de amigos que uma pessoa consegue ter ao mesmo tempo. Outros pesquisadores foram além e constataram que, dentro desse grupo de 150, há uma série de círculos concêntricos de amizade. Destes, apenas 5 amigos são os íntimos, com quem você mais fala e não hesitaria em ligar de madrugada. Já na antiguidade clássica, para Aristóteles, 5 era o número máximo de amigos verdadeiros.

O problema é que hoje temos uma vida cada dia mais atarefada. Cada vez mais cheia de obrigações, que tem transportado nossas relações cada dia mais para o virtual. Temos centenas de seguidores no twitter, centenas, até milhares, de amigos no facebook, pessoas que muitas vezes mal reconhecemos, mas com quem estamos muitas vezes compartilhando nossas vidas na mais profunda intimidade.

Vi isso num vídeo essa semana que uma colega de trabalho me mostrou e me marcou: nos raríssimos momentos que conseguimos nos reunir com nossos cinco poucos e bons amigos, aqueles que você pode contar, nos preocupamos mais em fazer a selfie do prato, em postar nas redes, em compartilhar com aqueles que estão lá do outro lado e que não estão nem aí pra você, que em desfrutar daqueles poucos momentos com pessoas que realmente fazem diferença na nossa vida.

Com quem tenho compartilhado minha vida? Essa é a pergunta que me fiz incessantemente essa semana depois de ter sido magoada por pessoas que utilizaram informações que eu mesma compartilhei pra fazer piadinhas. Piadinhas das quais eu não achei a menor graça. Qual é o sentido afinal? Pessoas que utilizam das minhas tristezas e fraquezas pra fazer piadas são meus amigos e merecem intimidade?

A princípio essa resposta parece fácil de responder: É Claro que não, Nay! Mas é difícil perceber quando você realmente cativou a amizade de alguém, demora um pouquinho pra perceber que o sentimento é unilateral. É claro que a maturidade traz mais expertise nesse assunto, mas quisera eu fosse definitivo... sigo tentando...

20 de agosto de 2015

A Escolha Perfeita 2


Eu poderia só falar que o filme foi quase um autoplágio, que a história não caminhou para um outro lado ( mesmas rixas, uma novata talentosa, as Bellas perdendo o duelo, constrangimento, piadinhas) mas eu não posso fazer isso. Não posso porque ele é mais. Ele é muito mais.

Ouvi meu marido dizer que eu estava dando muito significado para um filme que só quer mostrar um bando de meninas cantando musiquinhas da moda. Não, cara… Não é só isso. 
Esse filme mostra uma realidade um pouco perdida hoje em dia, que muita menina nunca se propôs a viver: MULHERES SÃO GRANDE AMIGAS UMA DAS OUTRAS!

Acreditar e viver isso num mundo machista e preconceituoso é muito significativo! Ver mulheres compartilhando a vida, os temores, as vontades, as crenças, as experiências ou até mesmo um momento insignificante, sem a necessidade e a preocupação de ter um cara do lado, é lindo! E o filme mostra essa aproximação e a convivência rica entre mulheres. A realidade do mundo feminino e suas particularidades são coisas que poucos filmes destacam, fora as heroínas de salto alto correndo de T-Rex ou uma guerreira nórdica que mata qualquer um com uma faca de manteiga. To falando do mundo real! Da garota nerd baixinha, da magrela alta, da gordinha engraçada, da japonesa tímida… To falando de mim!
Lembrei da minha adolescência, quando dividia a minha cama com minhas amigas e conversávamos por horas a fio, fazendo teste da Capricho, gravando a música preferida em fita k7 (quando começava a tocar na rádio, era aquela correria pra apertar o rec) ou quando caíamos na porrada porque uma não concordava com a outra. 

A realidade feminina não é só rosa e brigadeiro. É dedo na cara, é conversa séria e uma segurando a porta do banheiro pra outra. E como isso é rico! Descobrir seus medos e sonhos com alguém do lado, que conhece suas as frustrações, porque também está passando pela mesmo coisa, é algo que toda menina deveria experimentar. 
E o filme mostra isso. Mostra a verdadeira camaradagem, com barraco e muito amor, com frustrações de uma paixão mal resolvida, o emprego dos sonhos que virou um inferno, aquela garota mais bonita que faz questão de te deixar pra baixo… É bem isso tudo!
E pra que homem num momento tão rico? Não que o homem não sirva pra nada, mas ele não é e não pode ser, nem de longe, o motivo para viver grandes coisas na adolescência/juventude.
Dá pra compartilhar muita coisa com a melhor amiga, com a prima e com a irmã. Dá pra viver o melhor de tudo com quem sabe o que é ter cólica e vontade de comer 10kg de chocolate de uma só vez. Dá pra viver a vida compartilhando experiência com quem sabe o que é dar a luz a uma criança. Mulheres são amigas. Mulheres devem ser amigas. Mulheres precisam ser amigas! Não existe experiência melhor do que essa!

Beijos para as minhas melhores! 

Lai!

4 de março de 2015

5 atitudes para fazer de 2015 um ano melhor

Agora que o carnaval passou e o ano começa de verdade, bate aquela bad. Um pouco de medo feat preguiça de enfrentar os duzentos milhões de problemas que ainda estão por vir nesse ano. Isso porque janeiro e fevereiro já não foram meses tão fáceis assim e 2015 já foi prenunciado desde o fim do ano passado como um ano de dificuldades e arrochos.

Mas ainda sou daquelas pessoas positivas que acho que a nossa atitude em relação aos problemas é fator determinante para os resultados que eles podem causar na nossa vida e na nossa sanidade. 

Trocando em miúdos, acredito que a vida é um grande espelho que só reflete de volta o que você mesmo produziu.


Resolvi então listar algumas atitudes que eu mesma pretendo exercitar na minha vida em 2015. Quero a vida mais leve, a cabeça mais desanuviada e os dias menos pesados. São só algumas reflexões. Não é verdade absoluta nem cagação de regra. 


1 - Seja menos possessivo


Acho a posse um dos maiores males desse mundo pós-moderno (que frase chique). Esse sentimento de posse das coisas e das pessoas é algo que além de não trazer felicidade, gera stress e tristeza. Possuir coisas é bom. Dinheiro então melhor ainda. Um carro pode ser maravilhoso, uma casa, aquela bolsa da moda, aquele livro da coleção especial. A gente dedica horas das nossas vidas nos nossos trabalhos para poder comprar coisas às vezes só pelo prazer da posse. Às vezes os sonhos nem mesmo são seus. São dos seus pais, do seu cônjuge, das amigas e você se sente pressionado a querer, sem nem ao menos ter coragem de conversar e expor o que pensa.

Mas sabe, conquistar essas coisas materiais não pode ser uma obsessão a ponto de nos distrair das alegrias e pequenas felicidades da corrida até chegar lá, no seu objetivo. Tem gente que programa uma viagem de férias e o que deveria ser meses de expectativa positiva vira um grande caminho de cobranças e stress. LET IT GO! (Frozen é vida) Reavalie seus sonhos e seus objetivos materiais e se desamarre de expectativas desnecessárias. 


2 - Valorize as verdadeiras amizades


Acredito que seja consenso: quanto mais velho a gente vai ficando, menor vai ficando o círculo de amigos. A gente vai aprendendo mesmo que se sentir sozinho no meio de uma multidão é muito mais fácil do que parece (nossa tô muito poeta). A gente vai aprendendo quem realmente gosta da gente e quem vale a pena.

Acho que as principais pessoas nesse quesito são nossas famílias. Tem gente que ainda mantém uma certa “birra adolescente” e nunca parou de fato para viver momentos com os pais. Sair pra almoçar com os irmãos. Sei que existem famílias complicadas e mágoas difíceis de superar para alguns. Mas sempre penso que pai é pai, mãe é mãe, irmão é irmão, e que investir em amá-los e entendê-los nunca é energia desperdiçada. Um dia eles podem não estar mais vivos e não conheço ninguém que não tenha se arrependido de não ter desfrutado um pouco mais da companhia e do amor daqueles que compartilham o mesmo sangue.

Também tem aqueles amigos que o tempo e a distância afastam, mas não conseguem fazer diminuir o carinho. Para estes, precisamos realmente parar com o “vamos nos ver, vamos marcar qualquer dia desses” e começar a fazer mais o “vem pra cá, acabei de fazer um almoço gostoso” ou “to aqui no Bar fulano, vem pra cá tomar uma cerveja comigo”. Ninguém vive sozinho e um relacionamento sempre é uma via de mão dupla. Não dá pra exigir do outro o que você não dá.Se você já sabe quem são seus poucos e bons, se dedique a mantê-los.


3- Conheça-te a ti mesmo


É tanta informação nesse mundo que às vezes a gente até fica meio tonto. Se você, assim como eu, acompanha todas as redes sociais possíveis, percebe ainda mais intensamente essa sensação de que o mundo tá girando cada vez mais rápido. Com isso vem aquela sensação de que a gente está ficando para trás. De que estamos sempre correndo atrás do vento.

Já diria Salomão: “...na muita sabedoria há muito enfado e o que aumento o conhecimento, aumenta a tristeza.” Pra você ver que essas angústias não são lá muito novas. Aliás, recomendo fortemente o livro de Eclesiastes na Bíblia onde Salomão conta o quanto correu atrás de tudo que achava bom e maravilhoso e que na verdade SPOILER ALERT descobriu que tudo é vaidade. Mesmo se você não for religioso e tals. Vale a pena mesmo ler. 

A gente precisa definitivamente parar de se cobrar para saber de tudo que rola nesse mundo. Miga, simplesmente não dá. Aceita que dói menos. Importante no meu processo de entender minhas limitações e ter equilíbrio para avaliar o que vale a pena e o que não vale, é ter um momento para mim mesma. Que seja uma atividade física prazerosa, que seja um passeio aleatório no shopping, que seja ouvir música enquanto olho para o teto do quarto. Um momento que desfruto apenas da companhia dos meus próprios pensamentos.

O autoconhecimento é ouro nesse mundo que cada vez mais tenta uniformizar as pessoas. E que essa busca também não seja para se tornar melhor para as pessoas, mas para você mesmo. 


4 - Olhe para o passado


Outra coisa negativa nesse mundo globalizado é aquela sensação que causa na gente de que estamos sempre aquém do que deveríamos estar. Quando temos lá nossos 15 anos a gente faz aquele planejamento mental de onde queremos estar quando chegarmos nos 30. Geralmente isso inclui um bom emprego, uma casa, um carro, uma família formada. Dai a gente vai chegando nos 25 e vai percebendo que não conseguiu nem terminar a faculdade, casa e carro tão muito longe e família formada, bem... quem disse que eu quero família formada mesmo?

As mesmo tempo jogam na nossa cara esses jovens milionários, Killie Jenner (amo Kadarshians-Jenner) comprando mansão milionária antes dos 20, Zuckerberg esfregando a riqueza na nossa cara antes dos 30, aquele seu colega que passou num concurso federal e tá ganhando 20 mil por mês. Sabe, a gente se sente aquele emoji bostinha do WhatsApp.

Precisamos urgente parar de nos comparar. URGENTE. Isso não é bom pra ninguém. Ter sonhos é importante e impulsionador, ter essas pessoas como inspiração também pode ser ótimo (ou não), mas não deve de forma alguma se tornar fonte de frustração. Se você não conseguiu alcançar o que imagina talvez seja apenas uma questão de reavaliar seu foco. A vida de ninguém é igual. Oportunidades, mentes, ideias, networking. Tudo isso influencia no resultado. Repito: não se compare. Ou melhor: comparece-se, mas apenas com você mesmo.

Olhe para o seu passado e veja o quanto você já evolui até aqui, o quanto já conquistou até aqui. Pode não ter sido muito, mas com certeza é alguma coisa. Esse sim deve ser nosso combustível: nós tornamos uma versão 2.0 de nós mesmos. 

5 – Viva!


“As melhores coisas da vida não são coisas“.  Parece clichê (e é), mas sabe... Essa é uma verdade profunda.

Para de se preocupar com o fato de que seu corpo não está do jeito que gostaria e aproveite a praia. Pare de se preocupar que sua casa não está lindamente arrumada e decorada e receba os amigos. 
Pare de se preocupar que a vida não está do jeito que você queria, desfrute o que você conquistou!

O tempo passa, a gente vai ficando velho, trabalhando demais, na internet demais, preocupados com dinheiro demais. Enquanto isso o mundo está girando, o tempo está passando e não volta! 

Viver é urgente! 



19 de fevereiro de 2015

Cinquenta Tons de Chatice

Agora no começo de Fevereiro estreou a tão esperada adaptação para o cinema do livro Cinquenta Tons de Cinza. E como eu já esperava, uma pororoca de comentários inundou a internet. Os que amam, os que odeiam, os que rotulam quem ama, os que rotulam quem odeia, análises psicológicas, análises de mesa de bar. Enfim, um saco, vocês também acharam?

Mas na verdade para mim essa onda “50 tons” é só uma crista alta de um mar de ondas que eu gosto de chamar de Patrulha do gosto alheio.

Essa aí é mal comida...
Sou só eu que reparei ou vocês também, que de uns anos pra cá foi instaurada no mundo uma patrulha de pessoas que acham que podem decidir o que os outros seres do planeta podem ver, ler, ouvir, cantar, vestir, usar, comer, quiçá respirar?

Só digo uma coisa: Apenas parem.

Minto, digo duas coisas: não sou obrigada.

Vivemos num mundo de oito ou oitenta em que as redes sociais abrem espaço para todo o tipo de opinião extrema, sem fundamento e, principalmente, desnecessária.

Sério, não vai morrer um filhote de panda recém nascido na China se você não opinar sobre o novo assunto do momento.

As pessoas entram em discussões sem fim onde ninguém está mesmo disposto a um debate real, onde dois lados apresentam suas opiniões e tentam chegar a um denominador comum. A onda é ficar empurrando seus argumentos até eles acabarem e daí partir para o ataque pessoal. Assim, bem infantil.



Você tem direito de amar uma banda, eu tenho mesmo direito de não gostar dela. E mesmo assim podemos conviver até nas mesmas festas, existem tantas bandas por aí não é mesmo?

Você tem direito de amar um livro achar ele o livro da sua vida, eu tenho direito de achá-lo ruim e raso e mesmo assim a gente pode conviver e até conversar sobre livros. Sempre haverá um título sobre o qual nossas opiniões irão convergir. Ou não. E está tudo bem.

Você pode achar que determinado tipo de roupa fica ruim em determinado tipo de pessoa. Mas se eu sou esse determinado tipo de pessoa com esse determinado tipo de roupa e estiver me sentindo bem e feliz, eu tenho direito de usá-la. Se você não gosta que não use. Sou eu que vou me olhar no espelho não é mesmo?

Você pode achar que não ter gostado desse filme que você ama é um sério desvio de caráter. Mas continua sendo apenas a sua opinião sobre essa pessoa que pode não dar a mínima sobre o que você pensa sobre ela.

Meu ponto é que cada um de nós é uma combinação única de personalidades, influências, época, família, referências, amizades, meio... Nenhum de nós nunca vai ser igual ao outro nem gostar exatamente das mesmas coisas, nem odiar exatamente as mesmas coisas.

Mas veja só, pra mim essa é a beleza do mundo e ela está se perdendo nessa homogeneização de pensamento que a patrulha do gosto alheio tem empreendido.

É claro que eu acho que existem gostos de merda e pensamentos de merda, mas sabe cada um tem seu tempo. As pessoas evoluem e hoje podem ter um gosto ou ideia reprováveis pela maioria, mas podem ir se transformando ao longo do tempo e das experiências. Também podem não mudar nunca, mas e daí? Vai ser ruim para elas e só, você não precisa fazer delas sua missão de vida.

Evolua, Pikachu! (péssimo eu sei)
E está aí mais uma beleza no mundo: somos mutáveis. Dia após dia podemos nos transformar em algo que talvez hoje nós acreditemos odiar. E está tudo bem você mudar de opinião.

A Patrulha do Gosto Alheio pode querer te colocar no tribunal, mas jamais terá argumentos suficientes para te condenar.

O que posso dizer para terminar é: Parem de patrulhar a vida alheia pelo amor de Deus!  Se você não gosta de um livro, não leia, se você não gosta de um filme, não assista, se você não gosta de uma banda, não escute, se você não gosta de pau de selfie, não use.


Com certeza o mundo vai ser muito melhor e você irá conservar melhor os seus amigos e as pessoas ao seu redor se, em vez de tentar colocar goela abaixo suas ideias, você simplesmente ignorar o que não gosta e tocar sua vida com menos agressividade. 

Seja agradável! O mundo agradece e com certeza escutará com mais naturalidade suas opiniões.



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