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19 de fevereiro de 2015

Cinquenta Tons de Chatice

Agora no começo de Fevereiro estreou a tão esperada adaptação para o cinema do livro Cinquenta Tons de Cinza. E como eu já esperava, uma pororoca de comentários inundou a internet. Os que amam, os que odeiam, os que rotulam quem ama, os que rotulam quem odeia, análises psicológicas, análises de mesa de bar. Enfim, um saco, vocês também acharam?

Mas na verdade para mim essa onda “50 tons” é só uma crista alta de um mar de ondas que eu gosto de chamar de Patrulha do gosto alheio.

Essa aí é mal comida...
Sou só eu que reparei ou vocês também, que de uns anos pra cá foi instaurada no mundo uma patrulha de pessoas que acham que podem decidir o que os outros seres do planeta podem ver, ler, ouvir, cantar, vestir, usar, comer, quiçá respirar?

Só digo uma coisa: Apenas parem.

Minto, digo duas coisas: não sou obrigada.

Vivemos num mundo de oito ou oitenta em que as redes sociais abrem espaço para todo o tipo de opinião extrema, sem fundamento e, principalmente, desnecessária.

Sério, não vai morrer um filhote de panda recém nascido na China se você não opinar sobre o novo assunto do momento.

As pessoas entram em discussões sem fim onde ninguém está mesmo disposto a um debate real, onde dois lados apresentam suas opiniões e tentam chegar a um denominador comum. A onda é ficar empurrando seus argumentos até eles acabarem e daí partir para o ataque pessoal. Assim, bem infantil.



Você tem direito de amar uma banda, eu tenho mesmo direito de não gostar dela. E mesmo assim podemos conviver até nas mesmas festas, existem tantas bandas por aí não é mesmo?

Você tem direito de amar um livro achar ele o livro da sua vida, eu tenho direito de achá-lo ruim e raso e mesmo assim a gente pode conviver e até conversar sobre livros. Sempre haverá um título sobre o qual nossas opiniões irão convergir. Ou não. E está tudo bem.

Você pode achar que determinado tipo de roupa fica ruim em determinado tipo de pessoa. Mas se eu sou esse determinado tipo de pessoa com esse determinado tipo de roupa e estiver me sentindo bem e feliz, eu tenho direito de usá-la. Se você não gosta que não use. Sou eu que vou me olhar no espelho não é mesmo?

Você pode achar que não ter gostado desse filme que você ama é um sério desvio de caráter. Mas continua sendo apenas a sua opinião sobre essa pessoa que pode não dar a mínima sobre o que você pensa sobre ela.

Meu ponto é que cada um de nós é uma combinação única de personalidades, influências, época, família, referências, amizades, meio... Nenhum de nós nunca vai ser igual ao outro nem gostar exatamente das mesmas coisas, nem odiar exatamente as mesmas coisas.

Mas veja só, pra mim essa é a beleza do mundo e ela está se perdendo nessa homogeneização de pensamento que a patrulha do gosto alheio tem empreendido.

É claro que eu acho que existem gostos de merda e pensamentos de merda, mas sabe cada um tem seu tempo. As pessoas evoluem e hoje podem ter um gosto ou ideia reprováveis pela maioria, mas podem ir se transformando ao longo do tempo e das experiências. Também podem não mudar nunca, mas e daí? Vai ser ruim para elas e só, você não precisa fazer delas sua missão de vida.

Evolua, Pikachu! (péssimo eu sei)
E está aí mais uma beleza no mundo: somos mutáveis. Dia após dia podemos nos transformar em algo que talvez hoje nós acreditemos odiar. E está tudo bem você mudar de opinião.

A Patrulha do Gosto Alheio pode querer te colocar no tribunal, mas jamais terá argumentos suficientes para te condenar.

O que posso dizer para terminar é: Parem de patrulhar a vida alheia pelo amor de Deus!  Se você não gosta de um livro, não leia, se você não gosta de um filme, não assista, se você não gosta de uma banda, não escute, se você não gosta de pau de selfie, não use.


Com certeza o mundo vai ser muito melhor e você irá conservar melhor os seus amigos e as pessoas ao seu redor se, em vez de tentar colocar goela abaixo suas ideias, você simplesmente ignorar o que não gosta e tocar sua vida com menos agressividade. 

Seja agradável! O mundo agradece e com certeza escutará com mais naturalidade suas opiniões.



Um comentário:

  1. Nem tenho o que acrescentar. Achei que ficou perfeito seu raciocínio. Eu já fui do team dramalhão, mimimi, mas hoje desencanei. Tanto é que, apesar de ter minhas opiniões, não tô indo de embalo e reclamando de tudo nessa onda dos 50 tons. Quem sabe eu veja o filme e aí possa conversar com alguém sobre, mas sempre respeitando os gostos e opiniões alheias.

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E aí? o que você achou?

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