
Eis que depois de décadas resolvo maratonar Sense 8.
Já tinha assistido o primeiro episódio pelo menos umas três vezes sem engatar, mas segui em frente e MIGAS o que é aquilo em nome de Jesus?
PASSEI MAL com aquela série. Amei a história, amei os personagens, desenvolvi crushes, shippei casais e estou DESESPERADA, deixa eu soletrar talvez vocês não entendam a dramaticidade da situação, D-E-S-E-S-P-E-R-A-D-A, pela segunda temporada.
To seguindo todos os atores no instagram, já li tudo na internet sobre o assunto. Naquelas de stalker.
(acho que bati o recorde de internetês em uma única introdução)
Dentre tantas reflexões e confusões mentais que a série me trouxe, num dos episódios o personagem Capheus, mais conhecido como Van Damme (e que será substituído na S02 por outro ator porque arranjou treta com a produtora. Bapho) soltou essa frase:
"Como podemos saber se somos nós que fazemos a escolha ou se a escolha nos faz quem somos?"
Pifei. Comecei a pensar nisso tão loucamente, tão profundamente.
Talvez porque tudo isso esteja combinado com minha crise dos trinta anos quando você começa a questionar toda a sua vida e suas decisões e começa a pensar "o que diabos eu estava fazendo nesse tempo todo que eu nem vi passar?". Talvez. São questões. Pode ser só mercúrio retrógrado mesmo. Mas o fato é que a gente começa a refazer os passos que nos trouxeram até aqui.
A gente chega a um ponto da crise que começa a pensar que se pudesse voltar no tempo faria escolhas completamente diferentes, o que faria com que o resultado atual pudesse ser mais próximo do que realmente sonhamos pra nós.
Mas aí entra a questão de Capheus: Será que realmente faríamos escolhas diferentes?
Será que nós pensamos em escolhas diferentes porque as escolhas que fizemos nos conduziram a ser o que somos hoje e o que o nosso eu de ontem não seria capaz de diferente?
CALMA.
O que eu tô tentando dizer é: nós só tomaríamos caminhos diferentes no passado se fôssemos a pessoa que somos hoje. Mas nós só somos as pessoas que somos hoje pelas escolhas que fizemos no passado.
DEU PRA ENTENDER? TO SURTANDO?
O fato é que eu chego à conclusão de que são as nossas escolhas que nos fazem quem somos. Que por mais que tenhamos esse ideal romântico de que seríamos capazes de nos conduzir a uma rota completamente diferente estamos nos enganando quando o fazemos. E que nos apegarmos a essa ilusão nos prende e nos transforma em grandes covardes diante da necessidade de mudança pelas escolhas já feitas.
Valorize a sua bagagem (não estamos falando de bundas aqui, mas valorize a sua também). Valorize seu histórico e tudo que foi construído até aqui. Mas não tenha medo de fazer novas escolhas sendo o ser novo e transformado que você é. Não tenha medo das mudanças que suas escolhas fizeram em você. Não se assuste se hoje você é uma pessoa completamente do que foi. Nunca se arrependa do que fez, apenas tire lições de tudo e siga em frente. O tempo é relativo e se tem algo que tenho sempre reaprendido é que é muito ok recomeçar do zero em qualquer tempo.
O que vocês acham? Tô sozinha aqui pirando?
Assistam Sense 8 e conversem comigo por favor? Eu não tô bem!
