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10 de fevereiro de 2015

As vantagens de ser invisível

Nesse final de ano tive uma oportunidade única na minha vida: viajar para o exterior. Nunca havia colocado meus pezinhos tupiniquins fora do Brasil e passei quinze dias na Austrália, mais especificamente em Melbourne.




Foi uma experiência intensa em diversos sentidos e, como eu sou uma pessoa amante da observação, foram dias de antenas ligadas em cada comportamento, em cada rosto diferente, em cada modo de comer, se vestir, andar, viver.




Dentre todas as diferentes experiências que vivi neste país tão diferente, um dos pontos que mais me marcou é o fator invisibilidade das pessoas. E conversando com outras pessoas que viajaram por outros países do mundo descobri que não é um privilégio aussie (que eu descobri que se pronuncia "Ózi").



Explico: Nas ruas de Melbourne pode-se andar descabelada, descalça, com uma blusa listrada e uma calça estampa indiana, gótica, normcore, com a meia calça cheia de buracos, com uma melancia na cabeça (existe, sério), NINGUÉM ESTÁ NEM AÍ PRA VOCÊ.




Não que eles sejam insensíveis. Longe disso. É um povo MUITO acolhedor e carismático que te cumprimenta calorosamente com um "how you doing, mate?" em cada estabelecimento que você entra, em qualquer hora do dia ou da madrugada.



A questão é que não há julgamento de valor sobre o que você é a partir do que você aparenta ser. Descobri que esse um grande defeito Brasileiro. Um defeito muito, muito incômodo.



O brasileiro, e com especial atenção as capixabas, te olham de cima em baixo, te avaliam do corte de cabelo a bolsa pendurada, passando pelos possíveis pneuzinhos que possa haver no caminho.


Ostentação não é só um tipo de funk (e mais recentemente descobri também de arrocha. Sim.), mas um estilo de vida brasileiro. As pessoas não precisam ser, elas precisam parecer ser, TENDO coisas.



Não é a toa que o Brasil é o país onde mais bombam as redes sociais. Nós  gostamos de nos exibir, gostamos de avaliar o que os outros estão exibindo para criticarmos se está bom o suficiente.  Rotulamos e julgamos pessoas pelos que elas tem e pelo que vestem.



Não é a toa que somos o país líder em cirurgias plásticas e procedimentos estéticos.



Não são raros os casos em que alguém é destratado numa loja "de grife" porque entra de chinelo e camiseta.



De todas as péssimas coisas que temos na nossa cultura, coloquei essa no topo depois que voltei da Austrália.


Precisamos perceber o quanto isso é tóxico pra nós e precisamos aprender a avaliar muito além da capa.

Veja bem, não estou dizendo que eles são perfeitos. Fiquei quinze dias na cidade e jamais seria capaz de absorver absolutamente tudo de uma cultura. Mas neste tempo foi latente e inquietante perceber isso tão forte.

Lembro de uma experiência que tivemos muito engraçada. Eu e minha família estávamos andando na cidade, passeando e eis que uma moça passa por nós na calçada e começa a andar na nossa frente. Para nossa surpresa, ela estava com um short rasgado no traseiro que chegava a mostrar a "polpa" da bunda dela e parte da calcinha. Nós nos entreolhamos meio que chocados, daí meu irmão, que mora na Austrália há oito meses vira e fala: "Relaxa, é normal aqui..."

Pois é.

Imagens: euzinha


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