2014 foi o
ano de Gamain para mim! Na minha lista de livros lidos, Gaiman bate o recorde, maior
volume de livros e maiores notas.
Por isso
acabei deixando para ler o Oceano no Fim do Caminho, no fim do ano, dando um
espaço maior entre os livros, mesmo meses depois que comprei. Quanto
arrependimento, não por ter lido, mas por ter demorando tanto para ler, na
pagina 20 o livro já tinha me ganhado, na pagina 60 já não conseguia pensar em
nada além de “preciso terminar esse livro”.
" (...) - Vou dizer
uma coisa importante para você. Os adultos também não se parecem com adultos
por dentro. Por fora, são grandes e desatenciosos e sempre sabem o que estão
fazendo. Por dentro, eles se parecem com o que sempre foram. Com o que eram
quando tinham a sua idade. A verdade é que não existem adultos. Nenhum, no
mundo inteirinho. (...)"
“Foi há
quarenta anos, agora ele lembra muito bem. Quando os tempos ficaram difíceis e
os pais decidiram que o quarto do alto da escada, que antes era dele, passaria
a receber hóspedes. Ele só tinha sete anos.
Um dos inquilinos foi o minerador de opala. O homem que certa noite roubou o carro da família e, ali dentro, parado num caminho deserto, cometeu suicídio. O homem cujo ato desesperado despertou forças que jamais deveriam ter sido perturbadas. Forças que não são deste mundo. Um horror primordial, sem controle, que foi libertado e passou a tomar os sonhos e a realidade das pessoas, inclusive os do menino.
Ele sabia que os adultos não conseguiriam — e não deveriam — compreender os eventos que se desdobravam tão perto de casa. Sua família, ingenuamente envolvida e usada na batalha, estava em perigo, e somente o menino era capaz de perceber isso. A responsabilidade inescapável de defender seus entes queridos fez com que ele recorresse à única salvação possível: as três mulheres que moravam no fim do caminho. O lugar onde ele viu seu primeiro oceano.”
Um dos inquilinos foi o minerador de opala. O homem que certa noite roubou o carro da família e, ali dentro, parado num caminho deserto, cometeu suicídio. O homem cujo ato desesperado despertou forças que jamais deveriam ter sido perturbadas. Forças que não são deste mundo. Um horror primordial, sem controle, que foi libertado e passou a tomar os sonhos e a realidade das pessoas, inclusive os do menino.
Ele sabia que os adultos não conseguiriam — e não deveriam — compreender os eventos que se desdobravam tão perto de casa. Sua família, ingenuamente envolvida e usada na batalha, estava em perigo, e somente o menino era capaz de perceber isso. A responsabilidade inescapável de defender seus entes queridos fez com que ele recorresse à única salvação possível: as três mulheres que moravam no fim do caminho. O lugar onde ele viu seu primeiro oceano.”
“(...)- Esse é o problema
com as coisas vivas. Não duram muito. Gatinhos num dia, gatos velhos no outro.
E depois ficam só as lembranças. E as lembranças desvanecem e se confundem,
viram borrões...”
O interessante
desse livro é nem todos os personagens tem nome, ou melhor, o narrador e sua
família não possuem nomes. Mas isso não os torna vagos, tanto o narrador como e
a família Hempstock e a Ursula Monkton
são
personagens incríveis, e mesmo os que não temos tanta profundidade com os pais
do narrador ou o vendedor de opala, são complexo e importantes para a história.
“Tudo me voltava à memória,
mas, mesmo enquanto lembrava, eu sabia que não seria por muito tempo: eu me
lembrava de todas as coisas ali, sentado no banco verde ao lado do laguinho que
Lettie Hempstock um dia me convenceu ser um oceano.”
Lettie
Hempstock com certeza entrou no meu céu literário para nunca mais sair, ela e
seu Oceano. Achei a personagem tão completa e impressionante que queria saber
mais, queria saber sobre o passado e futuro de Lettie.
Sim.
Inicio e fim com gosto de quero mais, tenho a impressão que a história é um
fragmento dentro de tantas outras nesse universo da família Hempstock, a qual
eu queria muito ler sobre tudo, mas a história proposta no livros começa e
termina.
"Nos sonhos eu também
falava aquela língua, a língua original, e tinha domínio sobre a natureza de
tudo o que era real. No meu sonho, aquela era a língua do que é, e tudo o que
fosse falado nela se tornava realidade, porque nada dito com ela pode ser
mentira. A língua é o fundamento da construção de tudo. Nos meus sonhos, eu usei
esse idioma para curar os doentes e para voar; uma vez sonhei que tinha uma
pousada à beira-mar, e para todo mundo que se hospedava lá eu dizia, naquela
língua, "Sê inteiro", e eles se tornavam inteiros, e não pessoas
fragmentadas, não mais, porque eu havia falado a língua da criação."
MUITO. A
cada obra que leio de Gaiman fico meio aérea quando termino e penso muito sobre
ela, O Oceano no Fim do Caminho me deixou pensativa, na verdade ainda estou. O
livro mostrou que não só tem uma capa linda, como uma história de te fazer
pensar.
Recomendo
muito!
CURIOSIDADES: Mesmo antes de lançado, O Oceano no Fim do Caminho já teve os
direitos de adaptação para o cinema comprados pela produtora Playtone,
com o diretor Joe Wright (Anna Karenina, Desejo e Reparação) ligado ao projeto. O que me deixa meio
feliz, não tenho problemas com adaptações, principalmente adaptações de Gaiman
que geralmente tem o Autor ao lado participando de cada passo, mas sabe quando você
ama tanto um livro que prefere deixa-lo na sua cabeça? E assim que me sinto!
" (...) - Pessoas
diferentes se lembram das coisas de jeitos diferentes, e você nunca vai ver
duas pessoas se lembrando de uma coisa da mesma forma, estivessem elas juntas
ou não. (...)"
"- Aposto que essa não
é sua aparência de verdade - falei. (...)
- Ninguém realmente se
parece por fora com o que é de fato por dentro. Nem você. Nem eu. As pessoas
são muito mais complicadas que isso. É assim com todo mundo."
A história
vai se desenrolando de uma maneira impressionante, onde cada ação do narrador
acaba te puxando para o passo seguinte.
Admito
que a parte que mais ficou na minha cabeça, foi como o verme Úrsula Monkton, (Scáthach
da Torre de Menagem, “pulga“, governanta) criou um vinculo com o caminho de
volta através de um buraco no pé até o coração do narrador.
Úrsula
também me fez odiá-la varias vezes, como se fosse eu uma criança, que se via
tendo que ser cuidada por uma governanta falsa e cruel.
Por fim admito
ter chorado com o fim de Lettie, sei que ela está no Oceano e que pode voltar
um dia, ou não, mas ler aquela descrição me deixou de lagrimas nos olhos







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