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20 de agosto de 2014

Continue a Nadar


Newton postulou a seguinte lei da física, trocando em miúdos: todo corpo tende a permanecer em repouso ou em movimento retilíneo uniforme até que uma força externa interfira.

Me veio isso a mente enquanto estava observando o mundo e vendo o quanto somos acomodados.

Caraca, somos muito acomodados.

Nos acostumamos com qualquer coisa, desde que aquilo pareça relativamente agradável para nós, pelo menos nos primeiros cinco minutos. 

Tipo aquela velha ilustração da rã que é colocada viva numa panela com água e que o fogo é ligado para que a água vá esquentando aos poucos e a pobre rã morra cozida sem nem ao menos se dar conta disso.

Somos iguais. Preferimos as situações mais fáceis às melhores. 

Trabalhamos em empregos e fazemos coisas que não queremos porque dá muito trabalho dizer que não podemos. Dá muito trabalho só de pensar em começar tudo de novo em outro lugar.

Ficamos em relações que não nos fazem felizes, de amor, de amizade, de trabalho, porque não queremos ter o trabalho de nos indispor. Tendemos a permanecer em repouso até que o outro alguém arranje um motivo pra você. Ficamos esperando por essa mitológica força externa que vai nos tirar da nossa zona de conforto.

Mas veja só, essa força externa só existe na mecânica clássica. Na vida, ou você arranja motivação interna pra se mover ou ficará eternamente com seu corpo, sua mente e sua alma em repouso. E tudo que está parado, a gente sabe, dá limo, dá bolor, enferruja. 



Newton também falou que nossos movimentos retilíneos uniformes também são interrompidos por essa força externa. E num é?

A gente embala, levanta, sacode a poeira, toma um rumo e começa a caminhar, até que chegue alguém pra criticar. E como tem gente pra criticar. Eita força externa poderosa.

Quanto mais eu vivo mais eu percebo que para uma pessoa que toma iniciativa existem trinta para agourar e dizer que não vai dar certo. Corpos em repouso eterno que se colocam no seu caminho para tentar te impedir de seguir em frente.

O remédio para isso é difícil. Eu pelo menos não consigo não me afetar de vez em quando pelo pessimismo e crítica alheia. Mas uma boa tática eu aprendi com uma certa “peixinha”  azul chamada Dori: perda de memória recente.

A gente escuta, até se abala, mas veja só, que flor bonita alí naquelas árvores e puf! O que é mesmo que você disse?

Um peixinha muito sábia, um mantra pra escutar quando a gente resolver repousar: Continue a nadar... Continue a nadar...






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